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Julho Amarelo: Campanha de Estado Nikole Bozza criada por Cobra Repórter amplia conscientização e ações de saúde pública no Paraná

09 julho 2026       105 visualizações        ›   ›   ›   ›        

O mês de julho é dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, doenças que muitas vezes evoluem de forma silenciosa e podem causar graves complicações quando não diagnosticadas precocemente. No Paraná, a campanha ganhou ainda mais força com a Lei Estadual nº 22.295/2025, de autoria do deputado estadual Cobra Repórter (PSD), que instituiu a Campanha Permanente de Conscientização e Prevenção às Hepatites Virais – Campanha Nikole Bozza.
A legislação presta homenagem à arquiteta paranaense Nikole Bozza, que faleceu aos 29 anos em decorrência de complicações provocadas pela Hepatite A. Sua história sensibilizou o Estado e motivou a criação da lei, que busca ampliar a informação, incentivar a prevenção, fortalecer o diagnóstico precoce e evitar que outras famílias passem pela mesma situação.

Casos exigem atenção

As hepatites virais continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. Apesar dos avanços na vacinação e no tratamento, milhares de pessoas convivem com a doença sem saber, justamente porque, na maioria dos casos, ela não apresenta sintomas nas fases iniciais.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já registrou mais de 785 mil casos confirmados de hepatites virais. A Hepatite C continua sendo a principal responsável pelas mortes relacionadas à doença, enquanto a Hepatite B mantém taxa de detecção em torno de 5,3 casos por 100 mil habitantes. Já a Hepatite A apresentou redução de quase 47% na última década, reflexo da ampliação da vacinação infantil e das melhorias no saneamento básico, embora surtos localizados ainda preocupem as autoridades sanitárias.

No Paraná, o cenário também exige atenção. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram aumento dos casos de Hepatite A nos últimos anos, acompanhando a tendência nacional. Ao mesmo tempo, o Estado se destaca pelas políticas públicas de enfrentamento, recebendo o selo bronze do Ministério da Saúde pela eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) da Hepatite B.

Outro avanço importante foi a redução de 75% na mortalidade por Hepatite C nos últimos anos. Ainda assim, a doença continua sendo responsável por cerca de 77% das mortes relacionadas às hepatites virais registradas no Estado.

Entenda os principais tipos

Entre os principais tipos da doença estão:

  • Hepatite A – transmitida principalmente por água e alimentos contaminados ou pelo contato interpessoal. A vacinação é a principal forma de prevenção.
  • Hepatite B – possui vacina gratuita pelo SUS e pode ser transmitida pelo contato com sangue contaminado e relações sexuais desprotegidas.
  • Hepatite C – é atualmente a principal causa de mortes entre as hepatites virais, mas possui tratamento disponível no SUS com índices de cura superiores a 95%.
  • Hepatite D – ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da Hepatite B e concentra maior número de casos na Região Norte do país.

Diagnóstico e tratamento são gratuitos

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente testes rápidos para Hepatites B e C em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs).

O exame é realizado com apenas uma gota de sangue retirada da ponta do dedo e o resultado fica pronto entre 15 e 30 minutos. Caso haja confirmação da infecção, o paciente realiza exames complementares e inicia o tratamento também de forma gratuita.

No caso da Hepatite C, os medicamentos modernos disponíveis pelo SUS proporcionam índices superiores a 95% de cura, geralmente em apenas 8 a 12 semanas. Já para a Hepatite B, o tratamento controla a multiplicação do vírus, reduzindo significativamente o risco de cirrose, câncer de fígado e transmissão da doença.

Campanha permanente

A Campanha Nikole Bozza determina que, todos os anos, durante o Julho Amarelo, sejam promovidas ações educativas sobre prevenção, vacinação, testagem, diagnóstico precoce e tratamento das hepatites virais.

Entre as atividades previstas estão palestras, seminários, campanhas informativas, distribuição de material educativo e incentivo à realização dos testes rápidos oferecidos gratuitamente pelo SUS.

Segundo o deputado Cobra Repórter, a iniciativa busca transformar uma história de dor em um legado de conscientização e prevenção.

“A história da Nikole mostrou que precisamos fortalecer as políticas públicas de prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais. Essas doenças podem ser silenciosas, mas, quando descobertas precocemente, têm muito mais chances de tratamento e cura. Nossa lei nasceu para salvar vidas por meio da informação e da conscientização”, destacou o parlamentar.

A história que inspirou a lei

Nikole Bozza começou a procurar atendimento médico no fim de 2023 após apresentar sintomas persistentes. Segundo relato de seu pai, Edson Martins Lecheta, ela buscou atendimento diversas vezes em unidades do SUS, mas enfrentou dificuldades para obter o diagnóstico correto.

Inicialmente houve suspeitas de dengue e leptospirose. Somente dias depois foi confirmada a Hepatite A, quando seu quadro clínico já havia se agravado significativamente.

Com insuficiência hepática aguda, Nikole foi transferida para a UTI do Hospital de Clínicas e chegou a ocupar o primeiro lugar na fila nacional por um transplante de fígado. Um órgão chegou a ser disponibilizado, mas não pôde ser utilizado por incompatibilidades técnicas. Enquanto aguardava uma nova oportunidade, seu estado de saúde piorou rapidamente e ela faleceu aos 29 anos.

Sua história mobilizou familiares, amigos e autoridades, tornando-se símbolo da importância do diagnóstico precoce, da informação e do fortalecimento das políticas públicas de prevenção às hepatites virais.

Prevenção salva vidas

Como muitas hepatites não apresentam sintomas nas fases iniciais, especialistas reforçam a importância da vacinação, da realização periódica de testes rápidos, do uso de preservativos, da higiene adequada dos alimentos e da procura por atendimento médico diante de qualquer suspeita.

Durante o Julho Amarelo, o deputado Cobra Repórter reforça o convite para que a população mantenha a vacinação em dia, procure uma unidade de saúde e realize os exames quando indicados.

“A informação continua sendo a melhor ferramenta para prevenir a doença, garantir o diagnóstico precoce e salvar vidas”, concluiu o deputado.


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